09/10/2013

Tipo velha

O problema de uma das tábuas da minha cama se ter partido na sexta-feira passada são as dores de costas. Esta semana ainda não fui ao ginásio. Porque não pude. Mas hoje posso, só que pergunto-me se deverei ir com as costas neste lindo estado.
Cada vez que me levanto, sento ou deito, pareço uma velha aos ais.

(só que as minhas dores são mais acima. ali mesmo no meio.)

02/10/2013

compulsão alimentar, o meu caso

Este é o distúrbio alimentar que me custa mais abordar. Foi aquele que sofri e contra o qual ainda luto todos os dias. Uns com mais sucesso do que outros.

A compulsão alimentar caracteriza-se por:

  • consumo exagerado de alimentos, mas sem a provocação do vómito posterior;
  • este desejo surge uma ou duas vezes por semana;
  • a ingestão dos alimentos é geralmente rápida, apesar do doente não sentir fome, e individual, porque há vergonha de comer em público, até a pessoa se sentir desagradavelmente cheia;
  • depois dos episódios, os doentes tendem a sentir-se tristes e culpados, embora não tenham uma preocupação irracional com o corpo e o peso;
  • funciona quase um ciclo vicioso, prevalecendo à medida que o peso aumenta;
  • os doentes costumam ter problemas de depressão.
Foi o meu caso. A par da depressão desenvolvi este distúrbio alimentar. Comer exageradamente porcarias, mesmo sem fome, foi a forma que encontrei de lidar com o stress. E é exactamente como se diz acima. O sentimento de culpa e tristeza depois de se comer uma carrada de porcarias é avassalador. Ao ponto de a pessoa, depois, passar horas a chorar. 
Claro que depois a pessoa vai engordando e aquilo que eu pensava era: já sou tão gorda e tão feia, mais um bocado ninguém vai notar a diferença. 
O estranho é que fora estes episódios, que no meu caso, tinha alturas em que eram diários, sempre tive uma alimentação minimamente equilibrada e saudável, pelo menos às refeições.

Agora tenho o prazer de vos dizer que estou a lutar com todas as minhas forças contra estes dois problemas. Mais uns meses e tenho alta da psiquiatra. Desde que me comecei a tratar emagreci mais de 10 quilos, com a ajuda de medicação e psicoterapia. Estou a aprender a lidar com o stress e as preocupações de forma diferente e posso-vos dizer que há mais de ano e meio que não tenho um episódio de consumo exagerado de porcarias, pelo menos não tão forte como tinha antes.
Mas também vos digo que é uma luta diária. É muito difícil, naqueles dias ou semanas em que tudo corre mal, não me agarrar às bolachas, chocolates e batatas fritas. É extraordinariamente difícil, ainda mais desde que parei de tomar a medicação. É uma luta que dói muito e há dias que não tem como segurar. É preciso uma força de vontade de herói.

Acho que nunca tinha falado desta luta pessoal com ninguém, a não ser com a minha psiquiatra e a psicóloga. Mas fica aqui agora para quem quiser ler.

o ginásio já não pode viver sem a minha magnifica presença

pelo menos é o que gosto de pensar. foi o segundo e dia e ouvi logo:
- o quê?! já te vais embora?
- já te vais embora?
e eu, mais que farta de estar ali com a cara às manchas e a transpirar que nem um cavalo:
- então, já cá estou há uma hora...
o instrutor com ar de homem a sério (e giro) levanta a sobrancelha.
eu:
- foi o segundo dia. e vim ontem. e volto amanhã.
ele:
- hum... está bem, vai lá. até amanhã.

(e sim, não sou idiota o suficiente para achar que vão sentir a minha falta. bem sei que foi porque eles acham que lá fiquei pouco tempo. eu continuo a dizer que o facto de me ter inscrito já uma vitória. e que merecia uma taça por ter ido 2 dias seguidos.)

agora a sério, que coisa é esta de a minha cara ficar toda vermelha e às manchas? hein? nunca tal fenómeno me tinha acontecido nos meus míseros 26 anos de existência. nem quando, nos primórdios da minha adolescência, eu conseguia correr 20 minutos sem qualquer tipo de problema.

01/10/2013

e a foto do cartão?!

não podia ter ficado pior! ali, toda suada, vermelha e inchada depois do treino -.-

Amelia vai ao ginásio

balanço:


vá não foi assim tão mau. por enquanto ainda não estou muito dorida, mas daqui a 2h logo falamos melhor. 

mas comecemos pelo princípio.  há muito tempo que queria ira para o ginásio, mas estive sempre a adiar, ora porque não tinha dinheiro, ora porque fui operada, etc., etc. Mas setembro chegou e com ele os meus anos e eu tive a brilhante ideia de pedir à autoridade parental como presente o ginásio. Hoje foi o primeiro dia.
Confesso que fui para lá bastante apreensiva. Não sou grande fã do ambiente de ginásio. Miúdas super giras e magras e musculadas a fazerem aquilo como se fosse uma brincadeira de crianças, com aquelas roupas desportivas todas xpto, barriga de fora, bla bla bla. E eu com as leggings rotas e a tshirt larga e velha com uma mensagem idiota, a suar que nem um porco, com a cara toda às manchas. Não é muito agradável. 
Cheguei lá, a senhora da recepção amorosa que nem flores, fez-me um tour pelo espaço e por fim lá me equipei e entrei na sala de treino. primeiro pensamento: 
Eia! Gente normal! 
A primeira coisa que fiz foi ir ter com o rapaz de tshirt azul que lá estava, para pedir ajuda. Afinal não percebo nada daqueles objectos de tortura. segundo pensamento:
Esta gente é toda muita simpática!
Estava eu, Amelia, posta em caminhada na passadeira, quando um tipo com a tshirt do ginásio se aproxima, estende a mão  e diz:
- Olá sou o Diogo. É o meu primeiro dia aqui, mas se precisares de alguma coisa é só dizer. Estou aqui para ajudar!
Amelia pensa: oláaa! temos aqui uma bela motivação! mas diz:
- Olá! Sou a Amelia, também é o meu primeiro dia!

Pronto, foi amor desportivo à primeira vista. O Diogo ensinou-me a mexer nas máquinas, deu-me sugestões, deu-me exercícios para fazer. Uma simpatia. Amanhã vou lá outra vez (se me conseguir mexer). Claro que em tentou impingir a avaliação, mas eu disse-lhe logo: pois, sabe, não é que eu não queira, mas paga-se... e ele: pois é, eu percebo...

Foi tudo rosas e nuvenzinhas até chegar ao balneário e tentar desligar o ipod. e nada. esta porcaria. bloqueada ou não, diz que está bloqueado e não o consigo desligar -.- estou a escrever isto e a ouvir lá ao fundo os Kasabian.

Suspiros de meia-noite

Eu hoje fui aquela pessoa especial que não tem tempo para nada, gasta as calorias todas do dia a correr de um lado para o outro, mas, ainda assim, encontra tempo para ir ao ginásio.

Foi apenas meia hora do meu dia e dedicada ao stretch. Precisava urgentemente de uma pausa onde só tivesse de pensar em esticar todas as partes do meu corpo (e fazer umas pranchas pelo caminho).

Soube maravilhosamente bem até que chego ao jantar (de celebração de aniversário) e há sobremesa de morangos e suspiros. Deixei a heroína na mochila e fui lambuzar-me. Perdoe-me, nossa senhora dos que se que portam sempre bem que eu... tentarei pecar menos.


27/09/2013

Bulimia nervosa


Quando me foi diagnosticada a depressão e o distúrbio alimentar eu ainda pensei que pudesse ser bulimia, sem a parte do vómito, das drogas e dos laxantes. Mais tarde a psiquiatra disse-me que o meu problema não era este. Ainda assim, aqui ficam umas coisas sobre a bulimia nervosa.

  • A bulimia associa-se, geralmente, a uma depressão psíquica;
  • o doente tem alturas em que se alimenta em excesso e depois fica-se a sentir culpado;
  • os momentos de ingestão descontrolada de alimentos ocorrem 2 a 3 vezes por semana, durante uns 3 meses;
  • ao mesmo tempo, os doentes adoptam muitas restrições alimentares, mostrando muito medo em não conseguir controlar os ataques de fome;
  • os bulímicos provocam o vómito, usam laxantes, praticam exercício físico de forma exagerada;
  • muitas vezes apresentam sinais de auto-mutilação e, geralmente, recusam a psicoterapia;
  • muitas das pessoas que sofrem de bulimia têm problemas afectivos, de ansiedade e, por vezes, de drogas;
  • são pessoas que sofrem de depressão, alterações de humor, são obcecadas por dietas, têm uma auto-estima condicionada pelo peso, necessitam da aprovação constante dos outros;
  • fisicamente, o bulímico sofre grandes oscilações de peso, apresenta o rosto inchado, sofre de desidratação, garganta irritada, fadiga, dificuldades em dormir, etc.;
  • é uma doença que atinge essencialmente mulheres, particularmente dos 18 aos 40 anos e das classes sociais média-alta e alta.
(Lidon e Silvestre, 2009)

O dia da avaliação

O dia da avaliação ou o dia em que acharam que eu estava a roubar o meu próprio cacifo no ginásio.

Foi como um namoro à janela: eu passava por elas, a caminho dos estúdios das aulas, e ficava sempre a pensar que gostava de as conhecer melhor. Mas deixava sempre para depois: "quando é vou ter tempo para lhes dedicar atenção? Não tenho tempo", pensava eu para arrumar a questão. Até ao dia em que decidi ir à recepção e confessei o meu desejo. "O melhor é pedir uma avaliação".

E foi assim que eu e as máquinas do ginásio travámos o primeiro conhecimento. Não sem antes ser bombardeada com fitas métricas, balanças, índices de coisas, cinquenta mil questões (Fuma? Como é a alimentação? Que exercícios faz? Bebe água? Beba água. Muita.)

A avaliação é um senhor personal trainer a tentar vender os seus serviços e, nos intervalos, pergunta várias coisas, dá conselhos e faz-nos um treino personalizado, de acordo com os objectivos. A partir de tudo isto, estabelece-nos uma rotina (#morricomapalavrarotina) de treino "para os próximos 2 a 3 meses", disse ele.

Eu tinha achado o treino de avaliação extremamente suportável até regressar do banho e tentar abrir o MEU cadeado. Como a coisa estava à altura dos meus olhos tinha de levantar os braços para rodar a chave. Precisei de uma destreza hercúlea e três tentativas (depois de respirar fundo) porque os meus braços estavam demasiado cansados para o esforço de acertar com a chave no buraco e rodar. Quando finalmente alcancei a proeza já estava meio balneário pronto para chamar a segurança.